ALAORPOETA

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24 março 2015

O ÚLTIMO KAMA SUTRA SERÁ NO MATO




















Lá vou eu ferro-velho de cidade-muralha-ideológica
                quando o primeiro bem-te-vi
              pousar no fio e voar eletrocutado
quando a fumaça de carros-deuses da luxúria
          abalroarem os primeiros palavrões
                     nos semáforos-chifres
estarei longe a galope com exu-pés-de-vento
desnudo dos abadás da civilização de mortos-vivos
   no cume do horizonte dos piratas aposentados
                               farei amor
                 como uma cobra enlouquecida
              à vista de estrelas verdes pastando
                     cansadas do céu-mentira
Lá vou eu penduricalho gasto de cidade-enfeite
                a manhã serpenteia me chama
    Ossain já preparou o sangue-fel de amora
vou transar com a lua penteando meus cabelos
                  como um urubu-rei
              do império da decadência

Alaor Tristante Júnior

Ilustração: pintura de Max Ernst (1938)