ALAORPOETA

ALAORPOETA

24 março 2015

O ÚLTIMO KAMA SUTRA SERÁ NO MATO




















Lá vou eu ferro-velho de cidade-muralha-ideológica
                quando o primeiro bem-te-vi
              pousar no fio e voar eletrocutado
quando a fumaça de carros-deuses da luxúria
          abalroarem os primeiros palavrões
                     nos semáforos-chifres
estarei longe a galope com exu-pés-de-vento
desnudo dos abadás da civilização de mortos-vivos
   no cume do horizonte dos piratas aposentados
                               farei amor
                 como uma cobra enlouquecida
              à vista de estrelas verdes pastando
                     cansadas do céu-mentira
Lá vou eu penduricalho gasto de cidade-enfeite
                a manhã serpenteia me chama
    Ossain já preparou o sangue-fel de amora
vou transar com a lua penteando meus cabelos
                  como um urubu-rei
              do império da decadência

Alaor Tristante Júnior

Ilustração: pintura de Max Ernst (1938)

5 comentários:

  1. Então, tá! Abram alas saúvas, corpus nus precisam se encontrar.

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  2. Então, tá! Abram alas, saúvas, corpus nus precisam se encontrar.

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  3. Oi, Rita, obrigado pela visita. É no primitivismo dos sentimentos que está a essência da vida. O homem precisa recriar-se. A civilização roubou-nos a capacidade de sentir a própria existência e estamos vivendo uma vida que não é nossa, mas imposta, sem que percebamos, por um sistema de automação desde o nascimento. Ao menos resta-nos a poesia, como disse Otávio Paz, "a mais fascinante orgia ao alcance do homem". A arte existe porque esta vida que está aí não é suficiente. Basta de poesia, ideologia ou religião que não conduzam ao êxtase. Abraços. Alaor.

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  4. Lá vais tu, já longe dos que não tão hábeis são para cavalgar tão estranhas criaturas. Percebemos só teu rastro meteórico nos doando a luz que somos capazes de ver. Maria Luzia anônima por comodidade.

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  5. Alaor, vivemos um trágico momento. Nietzsche nunca foi tão atual. Deus está realmente morto, só esqueceram de enterrá-lo. Hoje vivemos um bum religioso. Todavia ninguém percebe que os deuses estão descendo precipício abaixo. Quando o homem acordar, será tarde demais.

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