ALAORPOETA

ALAORPOETA

29 dezembro 2014

LIVRO SAGRADO


















Abriu o diário oficial como todos os dias.
- Quanta imaginação! Se ao menos tivesse
ainda os ossos do ofício. – Mas aposentado!
Abria o diário oficial como todos os dias.

Metia-se à bolina de acostumados ventos.
- Fuçador nos lixões de coisas inservíveis -
acordava e dormia e havia o espaço
do meio... o passatempo da imaginação!

Abriu o diário oficial como todos os dias.
Nas letras pretas a cada morte uma nova
nomeação... os nomes já não lhe são conhecidos.
Se ao menos tivesse ainda os ossos do ofício.

Pensa Deus sobre todos nós seres humanos:
- pobres insetos desnorteados se mexendo!
Nesta pedra perdida de alucinados sonhos
abria o diário oficial como todos os dias.

Alaor Tristante Júnior

Ilustração: "A dança" de Henri Matisse

Um comentário:

  1. De repente me veio à cabeça a música, Dança do Fogo, de Ravel.

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