ALAORPOETA

ALAORPOETA

29 dezembro 2014

LIVRO SAGRADO


















Abriu o diário oficial como todos os dias.
- Quanta imaginação! Se ao menos tivesse
ainda os ossos do ofício. – Mas aposentado!
Abria o diário oficial como todos os dias.

Metia-se à bolina de acostumados ventos.
- Fuçador nos lixões de coisas inservíveis -
acordava e dormia e havia o espaço
do meio... o passatempo da imaginação!

Abriu o diário oficial como todos os dias.
Nas letras pretas a cada morte uma nova
nomeação... os nomes já não lhe são conhecidos.
Se ao menos tivesse ainda os ossos do ofício.

Pensa Deus sobre todos nós seres humanos:
- pobres insetos desnorteados se mexendo!
Nesta pedra perdida de alucinados sonhos
abria o diário oficial como todos os dias.

Alaor Tristante Júnior

Ilustração: "A dança" de Henri Matisse

20 maio 2014

DESPERTAR ENTRE CUMES






















dormiu pelada na guimba
de um cometa anatômico
anjo negro arsenal erótico
chicote de estrelas caindo
sobre depilados grandes lábios

puta que pariu o dia
partiu ao chafariz do caos
madres superioras
capitães do mato
só dormem de calça jeans


Alaor Tristante Júnior

Ilustração: pintura "fantasmagoria" de Iberê Camargo