ALAORPOETA

ALAORPOETA

05 setembro 2013

PASSEIO PELA CIVILIZAÇÃO


























Sair para as ruas vermelhas e nuas
de sangue hipertenso da alma vadia.
São as ruas as veias que sinto e não vejo
e carregam alucinadas a morte dos sonhos.
Mas se fico trancado o Diabo passeia
enquanto Deus me estupra no quarto às escuras.
Há uma esquina dúbia de direções impostas
que se eu pudesse voar cavava um buraco
porque só os buracos me fazem gozar.
Hemácias leucócitos plaquetas e plasmas
são monstros com cara de gente doentes.
Acham de me dar oxigênio depois me matam
com suas crendices certezas e piolhos hercúleos
sugando a carniça de vivos-mortos insepultos.
Comigo não porque há tempo comi meu anjo
da guarda baboso que era uma fada africana
para que eu pudesse surrá-lo todos os dias
sem direito a maria da penha das frígidas.
Agora quando caio emburacando orifícios lúgubres
ele me levanta para que eu possa cair novamente
sobre buracos do prazer que valham a pena.
Enquanto o operário sem rosto da sociedade vomita
seus dias na insignificância do progresso econômico
ando pelado na caverna de todas as cores do mundo
e pinto esperanças para quem restar dos homens
porque nas ruas do instante meus pés pisam a merda.

Alaor Tristante Júnior

Ilustração: pintura de Viktor Safonkin

4 comentários:

  1. Somente os poetas enxergam nas entrelinhas..

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  2. Olha, não sou poeta e tbem enxergo.
    O que vejo?
    Cirurgia...imediatamente.
    Há que se substituir esse coração com atrios e ventrículos comprometidos,; a tricúspede esta fechada e não ha boa irrigação. Nota-se inchaço no ventrículo esquerdo mostrando uma insuficiencia cardíaca congestiva, Af! a mitral mostrando sequelas .. Neste coração de mal com a propria vida, acho, duas providências: bom plano funerário e reserva de lugar lá onde os mortos vivem.
    Belo texto, cumpadi

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  3. Nem poeta, tão pouco escritora, apenas 'bisbelhotora' dos escritos alheios, vejo logo, um após outro que doente aqui , na verdade sou eu, que vejo viagem interna em buracos plantados com a mão do autor. Se é no buraco que se planta semente, o inverso nos versos se fez. Foi colado um abismo na árvore da vida e,a quem duvidar, Alaor faz bem melhor outra vez.

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    1. Querida Rita, mais uma vez obrigado pela visita e comentários. Sua presença, sempre, me envaidece. Faço versos para a guerra dos sentidos, não me interessa o apaziguamento de espíritos na miséria. Não há descansos, temos que partir... sempre. Depois, teremos a eternidade para descansar. Um grande abraço de seu sempre Alaor Tristante Júnior.

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