ALAORPOETA

ALAORPOETA

24 novembro 2012

AUGÚRIOS DE PEDRA



















Há um leão-marinho
                    trepando-me
(seu único olho comprova)
quando fui gente
não sabia que seria
                          uma pedra
lambida pelas águas
de ondas de lua do mar.
Se escorria pelos vãos
            pétreos
                         do destino
um felino
                   me aguardava.
A sorte foi que me fiz
                         pesadas
                         lágrimas
                         de rocha
que teimava em se
                                revelar
                                viva
pelos cílios (ou matos capins
                            braquiárias)
                    volúpias
que cresciam por todo o
                             corpo.
Passei a existência
tentando descobrir o
                                 branco
no preto do meu chapéu.
Até que um dia as águas
me cobriram para sempre
      xuá... xuá... xuá...
dei à luz ébrias conchinhas
         e o leão-marinho
             pediu DNA.

Alaor Tristante Júnior

Ilustração: imagem do GOOGLE

10 comentários:

  1. Olha, eu já ouvi muitos relatos sobre a primeira vez de alguém com alguém, mas com leao-marinho é a primeira vez.
    Brincadeiras a parte, poesia que tras mais nas entrelinhas que nas linhas, ou seja, uma procura incessante do quem sou eu e do porque estou aqui...acho

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  2. Transcendentalmente, foi ao inicio das encarnações de seu espírito,(usando aí o Eu lírico),foi pedra, e seu parceiro o leão marinho, dengoso,frágil, sensível, apaixonado pela sua inflexibilidade, rígida,inquebrável. O leão atraves das ondas marítimas lambeu-a para deixar aquele coração de ferro maleável, sensível, e conseguiu.é como se diz: "água mole em pedra dura tanto bate até que fura"
    Belo poema. Parabéns!
    Marianice

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  3. É caro colega Brito, tem que se tomar cuidado, nessas andanças por aí.

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  4. ALAOR,
    ao poeta tudo é permitido, devido a isso, fica difícil entender o que ele quer dizer e, muitas das vezes, com o passar do tempo, nem ele, o poeta, consegue lembrar o que quis dizer na ocasião em que escreveu o poema. Mas há quem diga que arte não é pra entendê-la e sim, senti-la.
    Um abraço,
    Anibal.

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  5. Uma metáfora forte. Gostei!
    Abraço e um doce fim-de-semana
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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  6. Essa metáfora é bem diferente das que costumo ler e, por isso, surpreende..

    ...Beijos.

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  7. Uma viagem ao belo - o paraíso imaginário do poeta. Quem pode caminhar sobre esta pedra sem deixar de admirar sua magnífica textura?! O mesmo se dá coma a poesia - viajamos por ela e nos perdemos nas suas entrelinhas, suas esquinas poéticas... Gostei de ler. abçs,___________LL

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  8. Sensacional! Cumpriu a talvez maior vocação do poema: criar novos sentidos! Se puder, me visite e seja um membro, para ajudar na divulgação do meu humilde e novo espaço. Abraços, Lucian (http://www.poemasintrovestidos.blogspot.com.br/)

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  9. As pedras e suas vidas, antes ou depois de suas mortes.

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  10. Surpreendente a sua metáfora! Dá asas a imaginação...

    Meu carinho!

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