ALAORPOETA

ALAORPOETA

01 outubro 2012

SEGUNDA-FEIRA




















A segunda-feira será longa...
e você sendo enfiado
                      aos poucos
longamente pela maldição
                      bíblica
do suor do próprio rosto.

Segunda-feira é a encenação
do eterno retorno.
É quando pelo ângulo
                      da mentira
enxugamos o gelo do tempo.

Mas se o domingo foi um tédio...
é porque não nascemos para assistir
                      ao espetáculo
temos que representar a vontade.

Se alguém lhe perguntar
                      como vai?
Diga, simplesmente:
- Vivendo e gostando!

Alaor Tristante Júnior


Ilustração: pintura antiga hindu.

8 comentários:

  1. Pois não é que é mesmo?
    Vou vivendo e gostando. A maldição bíblica não me atingiu.Até acho que vim a este mundo a passeio.

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  2. Alaor

    Realmente, a segunda feira sempre foi o pior dia, aliás, pra mim ela já começa domingo de tarde, não sei porque, é um dia como outro qualquer, não sei se você já assistiu o filme, que se não me engano o título é, ODEIO SEGUNDA FEIRA, no filme uma jovem mata dois colegas e um professor na escola numa segunda feira, ainda não o assisti, eu o conheço por comentários, pois bem, feliz quem não tem este problema.
    E se existe reencarnação como a explícita na gravura do BHAGAVAD-GITÃ que você ilustrou o poema, espero me reencarnar num mundo que não tenha segunda feira.
    Um abraço,

    Anibal.

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  3. Não é um poema muito lá meu estilo. Não pela falta de rimas, mas por ser de "auto-ajuda" rs. E, também, não concordo muito com esse negócio de segunda-feira. Se você tivesse dito terça rsrs.
    gostei desta parte, poeta:

    É quando pelo ângulo
    da mentira
    enxugamos o gelo do tempo.

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    1. Querido Cairo, obrigado por visitar meu blog e pelos comentários. Respeito sua opinião, pois, uma vez publicado, o poema não pertence mais ao poeta, tem vida própria; no entanto, se existe uma coisa que a minha poesia nega o tempo todo é a auto-ajuda. Sou, inclusive, rotulado de um descrente pessimista. Sou quase apocalíptico. Mas, realmente, este poema, depois de manter o tempo todo o ritual descrente do poeta, inacreditavelmente termina com este "vivendo e gostando". Você não sabe, ninguém sabe, mas foi uma homenagem ao meu pai, que ontem, aos 64 anos, veio com essa pérola. Um grande abraço de seu sempre Alaor Tristante Júnior.

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  4. "Nada se perde,tudo se transforma."...
    Um eterno retorno. Seja no ciclo das águas, seja do pó ao pó, seja de segunda a segunda. Sempre pensei que nascemos com vocação para só fazer aquilo que gosta, mas as segundas são antipáticos arautos de que " no mundo do homem quem não trabalha não come". Mesmo herdando... tomar conta dá trabalho.Tendo juventude e um amor como o que você tem, o fardo torna-se leve. Sobrando-lhe tempo para poetar é mais feliz que muitos milhões.E nos faz felizes. Maria Luzia

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    1. Querida Maria Luzia, obrigado por visitar meu blog e pelos comentários. Sua presença é uma honra e uma alegria indescritíveis. Como a senhora pode notar, continuo meu destino de poeta. Neste poema, na primeira estrofe, comparei a segunda-feira com a eterna luta do pão de cada dia que não é privilégio somente do homem mas de toda a natureza. Na segunda estrofe, a segunda-feira é comparada à teoria interessantíssima de Nietzsche do eterno retorno: Com o Eterno Retorno Nietzsche questiona a ordem das coisas. Indica um mundo não feito de pólos opostos e inconciliáveis, mas de faces complementares de uma mesma—múltipla, mas única—realidade. Logo, bem e mal, angústia e prazer, são instâncias complementares da realidade - instâncias que se alternam eternamente. Como a realidade não tem objetivo, ou finalidade (pois se tivesse já a teria alcançado), a alternância nunca finda. Ou seja, considerando-se o tempo infinito e as combinações de forças em conflito que formam cada instante finitas, em algum momento futuro tudo se repetirá infinitas vezes. Assim, vemos sempre os mesmos fatos retornarem indefinidamente. Na terceira estrofe, mudo de filósofo, e comparo a segunda-feira com o conceito filosófico do pensador alemão Arthur Schopenhauer no livro "O mundo como vontade e representação":"O mundo é a minha representação", com estas palavras Schopenhauer inicia essa sua principal obra filosófica. A tese básica de sua concepção filosófica é a de que o mundo só é dado à percepção como representação: o mundo, pois, é puro fenômeno ou representação. O centro e a essência do mundo não estão nele, mas naquilo que condiciona o seu aspecto exterior, na "coisa em si" do mundo, a qual Schopenhauer denomina "vontade" (o mundo por um lado é representação e por outro é vontade). E na última estrofe, faço uma homenagem ao meu pai, que ontem, aos 64 anos, soltou essa pérola: "Vivendo e gostando". Aparentemente o nexo foi quebrado, mas há alguma coisa dentro de mim que diz que não. Tenho de confiar nesta minha sensibilidade, não tenho outro remédio. Como disse um outro leitor, ficou meio autoajuda, mas não é verdade, esse poema tão simples, para mim, parece que definiu toda a vida, profundamente, como se não houvesse mais nada para dizer. Um grande abraço de seu sempre Alaor Tristante Júnior.

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  5. A segunda feira é maravilhosa, assim como qualquer outro dia. É neles que temos a oportunidade de aprendermos e crescermos. Os seres medíocres que tanto perseguem a ansiada zona de conforto, quando se vem em situações incompatíveis com seus deleites, tendem a sentirem-se desconfortáveis. Mas é na superação do desconforto que nossas almas evoluem, entendendo que não existe sofrimento e sim aprimoramento. Amém!

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  6. Estimado, Alaor
    Tenho as segundas feira, como um dia qualquer. Por esse dia da semana, passa os meus sonhos, os meus deveres, as minhas obrigações, e, o meu planejamento mental. Parabens, pelo texto
    Abraços

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