ALAORPOETA

ALAORPOETA

21 agosto 2012

O DITADOR


























Sempre pensei
que não existisse
não passasse de invenção
até que um dia
bateu à minha porta
sentou no meu sofá
bebeu da minha água
apresentou-me seus projetos
passado presente futuro.

Tudo ia bem
até nossos olhos se encontrarem
quando me lembrei de Capitu
que tinha olhos
oblíquos e dissimulados.

- Sim, você existe
mas sou oposição
não concordo 
com seu governo.

Contrariado
partiu calado
fez tudo virar sonho
preferiu não existir.

Alaor Tristante Júnior


Ilustração: pintura de Willian Blake

8 comentários:

  1. Como fez tudo virar sonho?
    Tudo nesta vida não é sonho?
    Fica aí arrumando treta
    Deus! que poeta mais medonho!

    Parabéns. Sua poesia é bonita memo.

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  2. Perfeito!

    Assim são os ditadores. Conheço esse tipo. São medonhos!

    Belo oema

    Beijos

    Mirze

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  3. É ano eleitoreiro, as reflexões acontecem, o coração palpita e nossa alma que ver a coisa mudar, mas ah! tudo não passa de utopia,
    marianice

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  4. E esse ditador não sou eu mesma, o meu lado oposto querendo se contrapor ao meu lado situação!? E a sua poética não é tão somente a sua democracia frente a frente com a sua ditadura? Ó, pois, poeta! Valha-me. Toda Capitu está entre nós. Traímos ou não os lados efêmeros da oposição politicamente correta, esta, que está lado a lado com as nossas raízes?
    Hã!? Deixe que ele parta, pois não partirá, sabemos...

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  5. A dissimulação, é a fantasia inversa do contentamento. E assim,alguns muito pouco, imagina que podem ditar normas, conceitos e até sentimentos.
    Alaor, Parabens, pelo texto
    Felicidades e sorte

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  6. Que lindo, Alaor!

    Wanilda Borghi

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  7. Assim são os ditadores.Travestidos de democratas,sempre usando o povo como massa de manobra com suas armas de sedução..belo poema..abraços

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  8. Carímo Alaor, li os comentários, após ler teu poema, tornei então a ler o poema. Acho que não entendi nada, pois para mim parece-me que é dirigido a Deus(para quem crê);ou p/o destino, ou talvez para o status quo( hoje fatalidade sócio econômica). Nas minhas v´rias hipóteses contundente...
    Maria Luzia

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