ALAORPOETA

ALAORPOETA

08 janeiro 2012

NOVO ANO VELHO





















Eu podia adocicar o poema
mas ao amor prefiro o odor de sêmen
as estrelas do motel coloridas
luzindo as letras do cartão de crédito.


Neste ano novo eu podia esculpir
novas fórmulas sob riscos em forma
de castelos nutrir porta-retratos
opacos de uma essência renascida.


Mas onde sepultar as velhas sombras
do abismo nos atalhos de rapina
sempre me seduzindo para o salto?


Como me recuso e afronto seus olhos
adoto a fronte do filho esquecido
em busca da própria imagem na foto.


Alaor Tristante Júnior


Ilustração: tela de Willian Blake

18 comentários:

  1. Poema é apenas o que é
    será que dá pra adocicar?
    retrata realidades bem amargas
    quem nao as tem, nao consegue poetar...

    Querida Maria Tereza
    Um quê de ternura todo homem tem
    a gente só nao tem este fogo danado
    este, minha filha, só você é que tem

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  2. Olá, Alaor! Muito interessante seu poema!!! Parabéns!!
    Gostaria que comentasse e seguisse meu blog, o "Entretenha a Mente!" , pois já sigo o seu:
    --->> http://artes-e-entretenimento.blogspot.com
    Postei uma crítica sobre a série "Two and a Half Men", e gostaria de ler sua opinião sobre ela! ^^
    Conto com você!! ^^

    Mil beijos,
    Mari.

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  3. EXCELENTE, Alaor!

    Com fogo ou sem fogo é o poema que está o máximo.

    Parabéns!

    Beijos

    Mirze

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  4. Poema que bordeja o fescenino, em linha de sátira inofensiva. Inegável a boa intenção, mas gostei mais do primeiro terceto, com a indagação insuflada pela entonação lírica e quase expressionista do primeiro verso, o melhor de todos. Prossiga, vate sudestino, com sua dicção estimulativa, não custa insistir; você metrifica bem.
    Adriano Lopes Moura - Bahia - Brasil

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  5. Querido leitor Adriano, obrigado por visitar meu blog e pelos comentários. Neste poema, falo sobre o abismo, esse mistério do ser pensante que simplesmente não existe para a maioria das pessoas. Simplesmente porque elas saltam-no, ignorando-o completamente, através da pura emoção advinda do instinto de simplesmente existir num mundo já previamente determinado pela natureza e pela cultura de massa. Mas este salto tem um preço: a alienação, e a maior de todas, Deus. Não nego: o salto explica e simplifica a vida. Eu nunca consegui saltá-lo. Por isso, olho o abismo, o abismo olha para mim, fico abismado. Um grande abraço de seu sempre Alaor Tristante Júnior.

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  6. Prezado Poeta Alaor: perdoe o tom pernóstico de meu comentário. Não costumo frequentar blogs, o seu foi um gesto raro, uma travessura cordial. Também não me chamo Adriano Lopes Moura; preferi o anonimato; desculpe a falsificação. Sou Florisvaldo Mattos, um baiano que também escreve poesia, com algumas décadas de escrita no costado e livros publicados. Mande o seu endereço que lhe enviarei o meu último livro, Poesia Reunida e Inéditos, 2011, saído pela Escrituras Editora de seu estado, SP. Foi bom o contato. quase uma novidde neste imenso Brasil. Um abraço.

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  7. Prezado Poeta Alaor: perdoe o tom pernóstico de meu comentário. Não costumo frequentar blogs, o seu foi um gesto raro, uma travessura cordial. Também não me chamo Adriano Lopes Moura; preferi o anonimato; desculpe a falsificação. Sou Florisvaldo Mattos, um baiano que também escreve poesia, com algumas décadas de escrita no costado e livros publicados. Mande o seu endereço que lhe enviarei o meu último livro, Poesia Reunida e Inéditos, 2011, saído pela Escrituras Editora de seu estado, SP. Foi bom o contato. quase uma novidde neste imenso Brasil. Um abraço.

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  8. Oi Alaor,
    poetar é sempre importante ainda que a gente não consiga atingir a todos. Vamos tentaR FAZER DESTE MUNDO algo que preste. Poetemos
    Irineu abraços

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  9. Querido poeta Florisvaldo, não precisa se desculpar de nada, no meu blog não faço nenhuma censura sobre os comentários. Voltaire me ensinou, "posso não concordar com nada do que disse, mas lutarei até o fim para que você tenha o direito à liberdade de dizer irrestritamente o que pensa". Sou assim, se o comentário me adula, não me convence; se me maltrata, reflito. Na internet o anonimato é uma grande besteira. O mundo caminha para o ponto em que ninguém será mais dono de ninguém e de nenhuma coisa (inclusive livros e ideias) e ao mesmo tempo será possuidor de todos e tudo. A humanidade caminhará homogênea para o fim, ou para o reinício de uma nova era, como dizia Nietzsche, com o fim do homem e o surgimento do além do homem. Para ilustrar isso, leia meu poema "O além do homem": http://www.alaorpoeta.blogspot.com/2011/11/o-alem-do-homem.html . Quanto ao seu livro, para mim, será uma honra recebê-lo. Adoro poesia. Faço questão de lê-lo e tentar descobrir o que o poeta baiano pensa. Meu endereço é: Rua Martin Luther King, 1057, Jardim Icaraí, Araçatuba, SP, CEP 16020-385. Mande-me o valor do livro e despesa de envio e o nº de sua conta que lhe reembolso. Sem mais, um grande abraço de seu sempre Alaor Tristante Júnior. Mantenha contato. Foi um prazer conhecê-lo (ainda que virtualmente).

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  10. Alaor Poeta, o poeta que não provoca,... pode esquecer! Você provoca, provocou.
    Cada qual com a sua linha, seu estilo. Não digo conduta porque isso retrai a poesia.
    A poesia, ela não quer grades, ele suplica nova roupagem, renascer com nova cogitação. Ela crê, ainda que tenha que visitar o abismo, ela crê na sua capacidade de renascê-la diferente a cada lida, Alaor.

    Parabéns.

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  11. o abismo é sedutor, o abismo é o ser que não se encontra, o abismo é a eterna procura, por isto a vontade de pular, ser atráido pelo abismo faz parte da existencia humana e voce Alaor não se acha o centro do cosmo, voce, vê agita e reflete sobre tudo e vê na carencia do ser humano o começo meio e fim do abismo. O abismo é o retrato da umanidade em eterna guerra.
    Parabéns. Alaor. adorei seu poema. beijos.
    Marianice

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  12. corrigindo. "Humanidade"
    Marianice

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    Respostas
    1. Caro Poeta Alaor Tristante Júnior: muito obrigado pela gentil resposta. Anotei o seu endereço. Enviarei o livro sem custos, pois não costumo cobrar a quem, sponte propria, resolvo enviá-lo. Breve seguirá, com muito prazer. Foi este ano lançado aque, com considerável aceitação, na Livraria Cultura do Salvador Shopping. Será um prazer tê-lo como leitor. Agora, para espelhar o "abismo sedutor", de que fala sua simpática leitora Marianice, em seu comentário, um deles, para mim o maior, é o amor, vai abaixo um dos sonetos que estão em meu livro, de inspiração quevediana...
      LUA SECRETA

      Retirado em la paz de estos desiertos
      (Francisco de Quevedo)

      Conosco se parecem os desertos.
      Quando seres gentis vão viver juntos,
      é como acalentar sonhos defuntos,
      quando melhor será vê-los despertos.

      Se para mim são sempre bons assuntos
      (os sonhos), seguem eles, sempre abertos
      às batalhas da vida nos desertos,
      se de vãs esperanças, devoto, unto-os.

      Não se deve elidir a quem se ausenta
      de oferecer um ombro, à mínima hora,
      em que a lua socorre e cumprimenta.

      Não há como fugir. Estrada afora,
      muito, como de sábio, o corpo atenta:
      amar, se precipício, nos melhora.


      Foi bom este papo ainda que virtual. Um abraço.
      Florisvaldo Mattos (florismattos@gmail.com)

      Excluir
  13. Prezado poeta Florisvaldo, veja pelos comentários que perpassam as páginas de meu blog, como a poesia, uma vez parida, cria asas e voa livremente para bem longe do seu criador, que não tem outra alternativa, a não ser ficá-la olhando e desejando-lhe boa sorte, já quase irreconhecível, a face mudada, no azul de um céu infinito de ideias e aparências. Muito do que é dito do poema pelos leitores, o poeta nunca pensou ou sentiu. Mas isto não é ruim, muito pelo contrário, é esse renascimento a cada leitura que imortaliza o poeta. Não obstante, quando falo de abismo, falo do vácuo, do nada, do espaço que antecede a grande mentira que é a vida. Falo do vazio e do silêncio quando o teatro da existência é paralisado. É como um soco no estômago. O amor, Deus, a rotina do trabalho, aquele sonho da casa própria, os filhos, o sempre buscado progresso (como se tivesse algum lugar para chegar), o sucesso, o sorriso de uma criança: tudo isso não é o abismo, é a vida inventada. O abismo já fora saltado. O amor não é o abismo, é a glória da vida. Deus não é o abismo (dizem é o caminho , a luz e a verdade). Veja que saltar o abismo não é o problema, porque a humanidade vive há muito além do abismo, alienada pela natureza e pela sociedade. Na verdade, não temos opção. A alienação é o escudo que protege do abismo. Não conseguir saltar o abismo é desafiar a vida. Como disse Gullar: "A arte existe porque a vida não é suficiente." Um grande abraço de seu sempre Alaor Tristante Júnior.

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  14. alaor,
    aí estou como mais um seguidor do seu blog, sua poesia realmente fala muito alto, parabéns.

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  15. Envolvente verdade em teus versos, ao menos na minha identificação.
    Gostei do poema, li outros também e te deixo parabéns e grande abraço!

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  16. Caro Alaor,

    Parabéns por sua brilhante poesia onde vc coloca de forma única e inteligente o olhar inquieto e corrosivo que vc tem do mundo. Gostaria de convidá-lo a visitar http://emaranhadorufiniano.blogspot.com

    Seus comentários serão muito bem vindos por lá. Prometo voltar mais vezes. Já lhe sigo. Abrçs!!!

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  17. muito bom sentir teus textos, são muito suaves de se ler, parabéns pelo belo blog, já estou seguindo e voltarei mais vezes, eu escrevo alguns versos e te convido pra fazer uma visita http://joselito-expressoesdaalma.blogspot.com ficaria feliz com a sua visita ao meu humilde espaço

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