ALAORPOETA

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07 setembro 2010

UM CAUSO: CHAPELÃO PRETO

 

Foi há muito tempo atrás,
tudo isso era mato,
não tinha televisão,
cinema era só boato, 

criações e criaturas
da assustada mente humana
assombravam muita gente
nas florestas e choupanas.

Orquicêncio dos Gonçalves,
belo e jovem lavrador,
na Fazenda Água Branca,
para ver seu grande amor,
Tereza Cápua, a mais bela
das moçoilas do sertão,
caminhava três mil metros
entre a mata e o varjão.

Quanta inveja e olho gordo
causava aquele romance
que num dia sexta-feira
à meia-noite minguante
resolveram em Orquicêncio
aplicar uma lição
que no caminho da volta
existia assombração.

Enquanto alguns o assustavam
falando de alma penada
outros de capuzes pretos
o esperavam na estrada,
quem ali não tinha medo
do monstro Chapelão Preto
que esmagava de porrete
e tinha dedos de espeto.

Tantas histórias contaram,
Orquicêncio se abalou,
mudou seu rumo na volta
e um temporal desabou,
chuvas, raios e trovões
devastaram a escuridão,
Orquicêncio tremeu todo
quando viu o Chapelão.

Zelou para não chorar,
mas realmente chorou,
enquanto o Chapelão Preto
bem no caminho parou...
percebeu que a solução
era enfrentar o danado
e se atirou como louco,
os olhos quase fechados.

Foi uma luta sangrenta,
invadiu a madrugada,
Orquicêncio esmurrava
e levava porretadas,
foi quando acertou em cheio
a cuca do Chapelão,
decepando os seus braços
na ponta do seu facão.

Quando se viu vencedor,
correu sem olhar pra trás,
pela manhã, a façanha,
quis exibir aos seus pais,
chamaram na vila o padre
e também veio o coveiro
para enterrar um coitado...
pobre pé de mamoeiro.

Alaor Tristante Júnior


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