ALAORPOETA

ALAORPOETA

17 setembro 2009

NÁUFRAGO...















Um sonho findo
um sonho vindo
não sei se rio
se é um córrego
vai recobrindo
estes meus olhos

pondo-me cego
quase sem lágrimas
tonto me entrego
refém das águas
cada suspiro
cada braçada
não sei se rio
se é um córrego
vai recobrindo
estes meus olhos

serão meus risos
ou minhas mágoas
nas correntezas
do sem saída
ou nas tristezas
do sem chegada
serão meus risos
ou minhas mágoas
nas incertezas
das gargalhadas

um sonho findo
um sonho vindo
não sei se rio
se é um córrego
vai recobrindo
estes meus olhos...

Alaor Tristante Júnior



Ilustração: "Nufrágio" (1805) - Willian Turner

9 comentários:

  1. Oi Alaor, adorei o jogo de palavras que você usa em seu poema. Visitei seu blog hoje pela primeira vez. Voltarei
    Abração

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  2. Alaor!

    Uma beleza de poema! As imagens que pude perceber, de um sonho findo ou vindo, estão no lugar certo. Num rio, ou num córrego que as levarão ou lavarão.

    "Nas incertezas das gargalhadas" - a mais pura realidade. Sempre há alguém rindo de nossa sina.

    MUITO BOM!

    Parabéns, poeta!

    Um abraço!

    Mirze

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  3. Olá, amigo!
    Gostei do seu poema.
    Bem dizes- as lágrimas podem ser tanto... uma hora rio, n'outra oceano; também podem ser risos e a mesma água ser pranto...
    Apenas lágrimas que caem dos olhos para revelarem nossa alma.
    Abraço

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  4. Este comentário foi removido pelo autor.

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  5. Sobre a poesia há pouco a se dizer, uma vez que no seu todo ela traz todas as falas que não encerram nelas mesmas.A sua poesia, Alaor, traz todas as línguas embutidas em uma só palavra. Por isso eu rio e nado na sua poesia,
    Alaorpolipoeta

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  6. Não sei o que é poesia
    além dos meus passos
    nem sei se minhas palavras
    ficarão escritas neste papel...
    Mas ouço a música das suas palavras
    e as ondas suaves que as regem...
    Abraços!

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  7. Alor

    Boa tarde.

    Parabéns pelo poema... Belos versos.

    Verdade é que, vez ou outra, somos todos náufragos... Vez ou outra, nos debatemos e quase nos afogamos em nós mesmos...
    Talvez assim, o poeta que habita em nós, ele se sinta mais vivo e mais digno.

    Abraço

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  8. O balouço pendular que rege o poema acalma, enleva, enleia. O tamanho do sonho não importa. Importa que não se extinga. Sonhar é ser e viver é sequência.
    A cada suspiro, a cada braçada vais me deixando encantada! Maria Luzia

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  9. Todo sonho quando se finda é sinal que o ciclo terminou e outro está para chegar. Triste quem nunca lutou por seu sonho. Feliz aquele que muito sofreu e foi forjado na batalha sangrenta da superação do dia a dia. Tudo tem saída, porque um dia teve chegada. Risos, magoas, incertezas e gargalhadas fazem parte do enredo que representamos em nossa jornada terrena. Abraços.

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